Sei que não faz muito tempo que fiz um mini post mostrando o Ron Artest jogando o tênis do Ariza pra longe, e alguns meses atrás contei algumas histórias bizarras dele. Mas aqui estou eu pra comentar sobre o cara mais uma vez. Mas não é de graça, o Artest tá sempre aprontando uma nova. Nessa semana ele foi ao programa do Jimmy Kimmel na TV dos EUA para dar uma entrevista usando apenas cuecas!!!
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Mais Ron Artest
Defenestrado por
Denis
por volta das
23:21
8
Jogadores frustrados já comentaram
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Brilha brilha estrelinha

Essa predominância de Carter num jogo com tanta gente boa, em uma situação normal, chamaria a atenção, mas não seria um absurdo. No Magic, porém, fica esquisito. O time nunca foi de concentrar arremesso na mão de ninguém, nem o Dwight Howard que domina os garrafões da NBA arremessa tanto! Não é muito incomum ver Dwight, Rashard Lewis e outros jogadores de nome acabarem um jogo com número de arremessos bem parecidos com coadjuvantes como Mickael Pietrus ou Ryan Anderson.
Fugindo completamente dessa distribuição democrática, no jogo contra o Celtics o Carter arremessou 29 bolas. Depois dele quem mais arremessou foi o Rashard Lewis, com 11 tentativas. O Dwight Howard tentou só 4 chutes! Tá bom que ele enfrentou o seu nemesis, o Kendrick Perkins, mas mesmo assim é pouco demais. Durante esse show pessoal do Carter, passei por três sensações: a primeira óbvia de estranhamento, a segunda de indignação e a terceira de admiração.
A primeira é óbvia, achei muito Nets o Carter arremessar tanto. Quem deveria mudar nesse casamento de Carter com Magic é o Carter, que deveria emular o Turkoglu, não é o Magic que deveria fingir que é o Nets. Depois veio a indignação de não ver ninguém no time tomando uma atitude a respeito. O Stan Van Gundy até pode ter tentado mudar algo, mas como ele perde a voz quando grita, ninguém percebeu. O Dwight foi apático e não ficou pulando desesperado pedindo a bola no estilo JR Smith de ser. Assim, depois de um tempo o resto do time inteiro aceitou e começou a assistir o Carter jogar. E jogar mal, diga-se de passagem. Chegou ao cúmulo do arremesso a uns 5 passos da linha dos três com o relógio ainda com mais de 10 segundos de posse bola. Dos 29 arremessos, o VC acertou apenas 10 e o seu terceiro quarto pareceu muito com eu e o Danilo jogando sexta passada no Parque Villa-Lobos, um lixo.
Mas aí veio a admiração. Veio a hora em que a gente vê porque o cara se acha tanto: porque ele é. No quarto período, em que o time do Magic inteiro só esperava que o Carter fizesse alguma coisa para parar a reação do Celtics, ele fez. Acertou uns arremessos absurdos mesmo sendo muito bem marcado pelo Paul Pierce e fechou o caixão. Saldo positivo, pose de herói, torcida apaixonada pelo seu novo craque.
Só acho que esse resultado acabou sendo péssimo para o Magic. Tudo o que eles não precisavam era acreditar que o Carter é o salvador da pátria. Um cara para assistir e ver levar o time nas costas. Eles foram longe na temporada passada por acreditar no jogo de equipe, por movimentar bem a bola e deixar sempre o jogador mais bem posicionado arremessar. Tudo bem que no final dos jogos a bola ficava mais na mão do Turkoglu (e do Jameer Nelson na temporada regular), mas era só isso, no fim dos jogos.
O que o Magic precisa fazer é parar de se deslumbrar com o talento exuberante do Carter e tratar ele como um jogador normal durante toda a partida. Quando chegar nos minutos finais, aí é bola na mão dele. É hora de confiar no talento individual do cara. Não é fácil fazer isso, porém. A NBA tem uma cultura de confiar demais e idolatrar demais os grandes jogadores. Até entre os próprios atletas e juízes existe uma aura criada em volta dos super jogadores e se espera que deles aconteça tudo.
Muito desse pensamento tem algum fundamento. Não é coincidência que os últimos 10 títulos estão basicamente divididos entre Shaq, Kobe, Duncan e Garnett. Não se ganha um título sem um cara desse nível. Mas embora pareça óbvio que não é só isso pra quem vê de longe, na hora é natural um jogador ficar inibido ao ter um cara talentoso do lado e deixar ele jogar ao invés dele próprio tomar alguma iniciativa. Acabam por fazê-lo apenas quando a estrela, por algum motivo, não joga.
Exemplos que provam isso são fartos nos últimos anos e até nessa temporada. O Wizards que se superou sem Arenas, o Rockets sem Yao Ming e Tracy McGrady e mais recentemente o Kings sem Kevin Martin. Em todos os casos os jogadores menos talentosos perceberam que pra vencer sem as estrelas teriam que correr mais, lutar mais, defender mais, jogar um basquete mais coletivo, ter mais raça e, surpresa, quando se faz tudo isso, aparecem mais vitórias.
Quando se acha o equilíbrio entre quando usar o talento individual e quando usar o basquete coletivo um time está pronto para ir longe nos playoffs. Só ver o Lakers, que volta e meia tem o Kobe caminhando pela quadra nos dois primeiros períodos, quando Gasol e Bynum tomam conta do jogo, para depois, no último período, deixar o Kobe fazer sua mágica. Não tenho dúvida que o Magic está a esse equilíbrio de distância de se consolidar como o melhor time do Leste.
Mini 8 ou 80
Querem saber a diferença do Turkoglu da temporada passada para o Carter dessa temporada?
Hedo Turkoglu 08-09
16,6 pontos por jogo
5,1 rebotes por jogo
4,9 assistências por jogo
0,8 roubos por jogo
2,7 turnovers por jogo
13,1 arremessos tentados por jogo
4,5 arremessos de 3 tentados por jogo
5 lances livres tentados por jogo
Vince Carter 09-10 (primeiro mês)
18,7 pontos por jogo
4,5 rebotes por jogo
2,2 assistências por jogo
0,6 roubos por jogo
1,7 turnovers por jogo
16,5 arremessos por jogo
6 arremessos de 3 por jogo
3 lances livres tentados por jogo
O resultado é que o Carter arremessa mais, faz mais pontos, mas distribui muito menos a bola e por incrível que pareça, infiltra menos do que o Turko, ficando mais nos jumpers de longe.
Defenestrado por
Denis
por volta das
20:03
10
Jogadores frustrados já comentaram
Marcadores: magic, turkoglu, vince carter
Nova geração de armadores
Houve um tempo, muito distante, em que a rivalidade entre dois armadores dominava os debates sobre NBA. As donas de casa fofocavam sobre eles na calçada, os bêbados escolhiam o prefererido e ficavam defendendo o queridinho nas mesas de bar, e o pessoal que acompanha basquete e comenta nos fóruns jogava a vida na privada teorizando sobre qual dos dois era melhor sempre que dava um tempinho no Ragnarok. Os armadores eram Deron Williams e Chris Paul, e mesmo que ficar alegando que um era melhor do que o outro fosse a mair perda de tempo (assim como nós dizemos, desde o começo do blog, que é uma perda de tempo surreal comparar dois jogadores diferentes), a rivalidade era muito divertida de se acompanhar.
Os dois foram draftados em sequência, com o Williams indo para o Jazz com a terceira escolha e o Chris Paul indo para o Hornets com a quarta. Por algum tempo Paul pareceu o jogador mais completo enquanto Deron era o melhor pontuador e arremessador, mas os dois foram mostrando mais e mais aspectos de seus jogos até que não dava mais para dizer o que um fazia melhor do que o outro. O que podemos dizer, sim, é que o Chris Paul sempre tinha seu traseiro chutado quando os dois se enfrentavam e, no entanto, começou a receber mais atenção do público com sua atuação monstruosa nos playoffs. Foi parar no All-Star Game duas vezes, muitos consideram o rapaz o melhor armador da NBA, e o Deron Williams foi ficando um pouco de lado e ainda não foi parar no jogo das estrelas, o que é um crime tão grande quanto deixar a Alinne Moraes tetraplégica.
Mas essa rivalidade agora é velharia, tipo Kinder Ovo que custava 1 real. Os dois armadores estão fora das quadras por uns tempos e seus reservas, dois novatos, estão chutando traseiros. Todo aquele papo de que o draft desse ano tinha uma boa safra de armadores não era só papo pra te comer, temos Brandon Jennings marcando 55 pontos e transformando o Bucks, Tyreke Evans assumindo a armação do Kings e tornando o time bizarramente bom, tem o Stephen Curry quebrando um galho no Warriors sem Stephen Jackson e tentando sobreviver ao circo, o Ty Lawson fazendo miséria no Nuggets quando o Billups vai pro banco, o Toney Douglas sendo um dos poucos aspectos positivos do Knicks e jogando melhor do que o titular Chris Duhon, o Jonny Flynn impedindo o Wolves de ter a pior campanha da NBA apesar das contusões (o Nets também ajuda o Wolves a não ter a pior campanha) e além de todos eles temos os novatos que substituem Chris Paul e Deron Williams: são o Eric Maynor e o Darren Collison.
Os dois também foram draftados em sequência, também com o Jazz escolhendo primeiro. Mas ao invés da terceira e quarta escolha, foram draftados na vigésima e na vigésima primeira. Mas, nessa safra de armadores abençoada por deus e bonita por natureza mas que beleza, os dois chutam traseiros como não se imaginaria de escolhas tão altas, principalmente levando em conta que armadores costumam levar mais tempo para pegar as manhas da NBA do que jogadores de outras posições.
Quando o Chris Paul torceu o pé, a impressão que deu foi a de que o time estava fedendo tanto que ele até preferiu se contundir pra ir assistir ao filme do Pelé. Das dez partidas que disputou, Chris Paul venceu apenas três, e isso enquanto marcava quase 24 pontos por jogo. Era bem claro que ele estava tendo que pontuar completamente sozinho, e como o Tracy McGrady aprendeu nos seus tempos de Orlando, dá pra fazer 60 pontos num jogo e ainda perder se o teu time não souber nem amarrar o cadarço. Sem o Chris Paul, quem assumiu a responsabilidade de armar esse time incapaz de acertar a cesta foi o Darren Collison, e o pirralho já ganhou três partidas - e só tendo disputado cinco. A derrota de ontem para o Heat, por exemplo, só veio nos segundos finais depois de um arremesso certeiro do Udonis Haslem, o que mostra que o rapaz não apenas está no caminho certo mas também está tornando seu time mais eficiente sem carregar tanto o fardo ofensivo. Com 15 pontos e 6 assistências de média nas partidas como titular, Collison está abrindo espaço para outros jogadores aparecerem, como o também novato Marcus Thornton, escolha de segunda rodada, que marcou 22 pontos por jogo desde que o Chris Paul foi passear. A verdade é que esse time fede, fede muito, e fedia mesmo quando o Paul levou a equipe aos playoffs e impressionou todo mundo a ponto da gente não perceber o tamanho da bomba (tipo um cara feio com uma namorada gostosa, você acaba pensando algo como "ele não deve ser tãaaaao feio assim). Se ele continuar segurando o rojão sozinho, o time não apenas vai estagnar como vai acabar torrando os últimos traços de paciência do armador, que pode, no maior estilo "Tropa de Elite", simplesmente pedir pra sair.
Enquanto isso, em Utah, parece existir uma espécie de maldição que aflige as filhas dos armadores do Jazz. Assim como o Fisher enfrentou problemas com a saúde de sua filha que, por fim, acabaram gerando um acordo que permitiu ao armador voltar a Los Angeles (e ao Lakers) para poder estar perto dos maiores centros médicos, Deron Williams também pediu dispensa do Jazz por uns tempos para lidar com problemas de saúde de sua filhota. Ficamos na torcida de que não seja nada sério, que o Deron Williams possa voltar às quadras feliz e tranquilo, e que essa maldição não seja tão séria quanto a que faz o Clippers sempre feder ou o Wizards sempre ter alguém contundido. Nas duas partidas em que o Eric Maynor teve que assumir a armação titular da equipe, suas atuações foram incríveis. Contra o Sixers foram 13 pontos e 11 assistências, e contra o Cavs foram 24 pontos e 4 assistências. Mais do que isso, Maynor mostrou domínio nas jogadas de "pick-and-roll" que tanto fizeram a fama de Stockton e Deron Williams, apresentando um grande entrosamento com o Carlos Boozer. Parte disso parece ser culpa do Jerry Sloan, porque parece que se um anão de biquini for colocado pra armar o jogo no Jazz vai dar tudo certo, lembro de ver jogadores bizarros assumindo a posição em momentos de desespero e funcionando bem, como Gordan Giricek, o Raja Bell por quase uma temporada inteira, e até o Kirilenko, todos bem fora de sua posição natural.
Para o Jazz, saber que o Maynor se deu tão bem na função e que o Sloan deixa a vida dos armadores tão fácil é uma descoberta essencial. Esse começo de temporada não está sendo fácil para a equipe e Carlos Boozer e Paul Millsap são como pistoleiros de faroeste, ou seja, a cidade é pequena demais para os dois juntos. Ambos precisam de minutos, mas os dois precisam de bons armadores que permitam o "pick-and-roll" para que possam render satisfatoriamente. Se Millsap entrar em quadra acompanhado do Maynor, o Jazz ganha um banco de reservas que não deve muito à dupla titular Boozer-Deron, e isso não é pra qualquer um. Além de ser uma base para o futuro, já que a equipe se comprometeu com o Millsap pelos próximos anos, é uma garantia de que as mesmas jogadas podem ser usadas pelo escalão reserva, que sempre foi um dos grandes pontos fracos do Jazz.
Da próxima vez que Jazz e Hornets se enfrentarem, e provavelmente o Hornets vai estar fedendo bem mais do que o Jazz, ninguém mais vai estar de olho no duelo entre Chris Paul e Deron Williams. Todo mundo vai querer ver Eric Maynor e Darren Collison se pegando, porque as duas equipes parecem destinadas a ter uma tradição de armadores rivais. O universo conspira para que sejam draftados em sequência, para que tenham chances no time titular ao mesmo tempo, e vai conspirar para grandes partidas entre os dois pelos próximos anos. Tudo graças à melhor safra de armadores puros que a NBA já viu, e olha que nem temos o Ricky Rubio nessa brindadeira ainda. Se bobear, é sorte dele: no meio de tanto, tanto talento, ele teria que suar as pitangas para fazer jus aos seus companheiros de posição. Afinal, armadores que substituem Chris Paul e Deron Williams à altura tem que ser espetaculares - e olha que nenhum deles fez 55 pontos. Ainda.
Defenestrado por
Danilo
por volta das
02:55
4
Jogadores frustrados já comentaram
Marcadores: boozer, chris paul, darren collison, deron williams, eric maynor, hornets, jazz, jerry sloan, millsap, ricky rubio
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
O novo Spurs
Não queria admitir, ia esperar mais tempo pra dizer, mas não resisti a falar a verdade. Hoje o Spurs é ainda um time forte, cheio de talentos, mas que não mete medo em ninguém e está recheado de defeitos óbvios. O ataque é lento nas trocas de passes e acabam forçando jogadas individuais no fim da posse de bola, a defesa não chega nem perto da fortaleza que já foi e as contusões insistem em encher o saco. Não temos nem um mês completo de temporada e tanto Duncan quanto Ginobili e Parker já perderam jogos por lesão.
Não sou doido de dizer que eles não tem chance de título nesse ano. Qualquer time com um bom elenco, histórico vencedor e um bom técnico não pode ser deixado de fora depois de menos de um mês de temporada, mas se caírem na primeira rodada dos playoffs de novo eu vou achar bem normal.
Enquanto isso, o Atlanta Hawks é um time sólido, regular, de boa defesa e agora até com banco de reservas. Até banco de reservas! Vocês tem noção que em 12 jogos o Hawks venceu 10 e no meio disso tem duas vitórias sobre o Blazers, uma sobre o Nuggets e até uma sobre o Celtics em Boston? Bizarramente uma das duas derrotas deles foi para o Bobcats, a outra foi para o Lakers.
A história desse time do Hawks é rara nos dias de hoje. Eles montaram essa equipe na base de Free Agency, draft e muita, muita paciência. Josh Smith, Al Horford e Marvin Williams vieram em draft. Mike Bibby e Jamal Crawford foram trocas, o Bibby foi para Atlanta numa troca com o Kings e o Crawford numa troca com Warriors. O Joe Johnson foi para lá quando virou free agent.
Não são poucos os times que sabem escolher jogadores bons no draft mas não tem saco para montar o time em volta deles. Ou então não montam um ambiente animador para o pivete, que na primeira chance parte para um contrato milionário com outra equipe. Mas o Hawks não, foi visionário ao ver que o Joe Johnson poderia sim liderar uma equipe. Decidir quem é o franchise player não é fácil para esses times menores, eles costumam pegar o melhor jogador que têm, pagar uma nota e não vêem que muitas vezes o cara é só bom, não espetacular. Só ver o Bucks com o Michael Redd, Warriors com o Monta Ellis ou o Kings com o Kevin Martin.
O Joe Johnson, ao contrário desses todos que citei, acabou se tornando um líder dentro do elenco, evoluiu para se tornar mais que só um arremessador e hoje é daqueles caras que pode ganhar um ou outro jogo sozinho, como já fez até nos playoffs.
Esse processo todo foi lento. O JJ não chegou do Suns já sendo uma estrela, ele não evoluiu mais rápido que Pokémon como o LeBron James. E nessa lentidão quem o acompanhou foi o Josh Smith, que de aberração física se tornou bom defensor, bom reboteiro e, mais importante, um jogador inteligente. Em entrevista recente à revista Dime, ele disse que não está mais chutando de 3 nessa temporada porque não é a área dele. Como não estava com bom aproveitamento, resolveu se focar no que é de verdade, um ala de força. Também disse que não liga em não ser o principal jogador do time, que apenas quer vencer e ajudar. Um cara com o ego do tamanho do mundo exigiria uma troca para ser uma estrela, afinal potencial pra isso o Josh Smith tem, mas ele foi esperto o bastante para sacar que pelo menos hoje em dia ele não é tão bom assim e que ganha mais ficando no Hawks. Ganha mais experiência, mais (e melhor) visibilidade, mais jogos.
Nessa temporada até o Al Horford está melhorando. Depois de ser ótimo como novato, ele desanimou todo mundo na temporada passada quando parecia ter estagnado. Foi só comodismo de segunda temporada, porque nessa temporada ele já está fazendo muitos pontos, com ótimo aproveitamento de arremessos (até porque quase nunca força o que não sabe) e até tocos está dando. Nada mal para um cara que nitidamente é improvisado como pivô.
Do Bibby acho que até comentamos algumas vezes na temporada passada. Não é o mesmo jogador que fazia muito estrago na época do Kings mas chegou para livrar o Joe Johnson de ter que bater o escanteio e ir cabecear (inventei essa agora!). O Bibby arma o jogo, dificilmente faz alguma asneira e ainda sabe arremessar de três, coisa que foi bem problemática para o Hawks por anos a fio.
A cereja no bolo foi a adição do Jamal Crawford. O banco do Hawks já tinha o esforçado (eufemismo para “ele compensa a falta de talento com vontade”) Maurice Evans e a piada pronta Zaza Pachulia para dar um gás na equipe, cobrir buraco. Mas não tinha alguém que chegasse pra mudar a cara de um jogo amarrado ou para simplesmente marcar pontos quando o Joe Johnson não estivesse na quadra.
O Jamal Crawford pode ter dificuldade para fazer mil coisas: para passar a bola, para ser bonito, para ter relações amorosas estáveis, para fechar Goldeneye 007 no nível "00 Agent", para chamar a amiguinha da sala pra ir no cinema e tudo mais, mas não tem dificuldade em marcar pontos. Deus chamou ele antes dele vir pra Terra e disse “Você vai à terra para marcar pontos em uma atividade humana chamada basquete. Sim, sua vida é patética”.
Jamal topou o desafio e veio aqui fazer a vontade divina. O cara marca muito ponto, dribla fácil (Top 5 em dribles mais devastadores da NBA) e faz isso todo jogo. Por fazer só isso e nada além disso, no Bulls, no Knicks e no Warriors era visto mais como um câncer fominha do que como um bom jogador. Mas na verdade ele só estava na função errada. Colocar o Jamal Crawford para liderar o seu time é pedir para o Eddie House pensar antes de arremessar, nunca vai dar certo!
No Hawks a função dele é jogar poucos minutos, ser fominha, arrasar com os reservas adversários. Ele é a principal razão para que o Hawks seja o time que mais evoluiu em pontos por jogo em relação à temporada passada. Em 2008-09 eram 97 pontos por jogo, agoram são 107.
Paciência, evolução da meninada, um jogador principal calmo e técnico e um doido agressivo como sexto homem. O Hawks não é só melhor que o Spurs, é o Spurs do Leste.
Defenestrado por
Denis
por volta das
18:35
18
Jogadores frustrados já comentaram
Marcadores: bibby, Hawks, jamal crawford, joe johnson, josh smith, spurs
Dos arremessos de três
A pirralhada resolveu, nessa temporada, provar que sabe arremessar de três pontos. É uma série de caras novas, a maioria ainda cheia de espinhas, ganhando a vida bem longe do garrafão. O Danilo Gallinari, por exemplo, que é o líder em bolas de três convertidas por partida, tenta mais de 7 bolas de longa distância por jogo. Dois terços dos arremessos que ele deu até agora foram bolas de três, o que constitui uma fobia de garrafão tão grande que o Rasheed Wallace fica até parecendo um sujeito normal. Sorte do Gallinari que ele joga no Knicks, onde fazer uma bandeja dá prisão perpétua (no Warriors dá cadeira elétrica), porque se ele jogasse no Spurs já estaria esquentando banco.
A lista de bolas de três pontos convertidas por jogo tem, além do Danilo liderando a parada, uma renca de outros garotinhos sem pêlos no saco, como Channing Frye, Brandon Jennings (o novato dos 55 pontos), Eric Gordon e o Ryan Anderson, que substituiu o Rashard Lewis (suspenso no exame anti-doping) tão bem, mas tão bem, que já já vão ter que obrigar ele a mijar num potinho.
Na lista de bolas de três pontos convertidas na temporada, o líder é o Channing Frye, seguido pelo Gallinari. Ou seja, a criançada está realmente convertendo os arremessos de fora. As duas listas se complementam para afirmar essas caras novas, mas também para indicar quais times estão mais focados nos arremessos de três.
Além do Frye, o Jason Richardson aparece entre os que mais convertem arremessos de três por partida. O resultado é que o Suns é o time que mais chuta de longe e tem o melhor aproveitamento. É uma volta aos bons e velhos tempos de correria, pontuação alta, bilhões de assistências e bolas de três pontos. Talvez o plano do Suns tenha sido fingir que estavam enterrando a tática do "run and gun" até o Spurs começar a feder, para só então retomar a estratégia e tentar ganhar um anel. Pode até dar certo, e nós que acreditamos no Papai Noel e na virgindade da Sandy botamos uma fé no Suns, mas se eles passarem de uma defesa como a do Celtics eu sou um mico de circo. Ainda assim, esse Suns parece um tanto mais voltado para os arremessos de fora do que aquele que conhecíamos. Se não bastasse até jogador da safra "figurante do Chaves no episódio do suco de tamarindo" acertar as bolas de três, como é o caso do Jared Dudley, o pivô da equipe agora também chuta de longe e está no topo das listas que citamos. Ninguém acreditava muito no Frye, alertamos aqui antes da temporada começar que essa seria sua última chance na NBA, mas ele alterou seu estilo de jogo para casar perfeitamente com o Suns e está sendo uma grata surpresa. Se ele for pro campeonato de três pontos do All-Star Game vai ser hilário e poderemos acrescentar o rapaz para a lista de jogadores bons que o Knicks tinha mas trocou por pipoca.
Continuando na lista de bolas de três pontos convertidas na temporada, o terceiro lugar pertence ao Trevor Ariza, enquanto o sexto lugar é do Aaron Brooks. A sensacional lógica matemática do "Instituto 8 ou 80 de Estatísticas Bola Presa" aponta, então, que o Houston arremessa de três pra caralho. Nenhum dos dois está tendo uma temporada espetacular, são muito inconsistentes, as bolas volta e meia não caem, mas o trabalho em conjunto da equipe segura as pontas quando alguém está fedendo e isso permite que todo mundo possa continuar chutando de fora sempre que surgir a oportunidade. Isso é acreditar no sistema, saber que você faz o seu papel mesmo quando não funciona, e que os companheiros de equipe fazem o papel deles e concertam se tudo o mais der errado.
Mas nada se compara com o Cavs. Assim como o Suns, o time de LeBron está acertando acima de 46% dos seus arremessos de três pontos na temporada, o que é débil mental. O bizarro é que na lista de arremessos de fora convertidos na temporada, o Mo Williams figura em quarto e o Anthony Parker em sexto, o que significa que eles arremessam pra burro. Como dá pra manter uma porcentagem tão grande de aproveitamento se os dois arremessam tanto? Ainda mais quando sabemos que o Mo Williams não tem qualquer critério para arremessar e que para ele o conceito de "estar livre" significa estar sendo marcado por menos de 7 pessoas. O motivo para o alto aproveitamento da equipe está justamente nas mãos desses dois: Mo Williams está convertendo 51% das bolas de fora, enquanto o Anthony Parker acerta surreais 57%! Tudo bem, o Cavs está meio capenga, o Shaq pode não ter casado muito bem com a equipe, mas o Anthony Parker foi uma sacada de mestre! Com o Delonte West fora com seus problemas de depressão, Parker está convertendo os arremessos, abusando do espaço que surge das marcações duplas no LeBron e até fingindo que defende. E quando o Mo Williams está acertando os arremessos, o Cavs é simplesmente imbatível porque o LeBron pode deitar e rolar com o espaço criado no perímetro. Mesmo que contratar o Shaq tenha sido uma decisão um pouco "água na Carol", o perímetro do Cavs tem tudo para fazer o mundo esquecer do garrafão, basta manter esse ritmo. O engraçado é que o ritmo é tão bizarro que o Mo Williams está acertando mais as suas bolas de três do que as suas bolas de dois pontos, então não tem motivo para parar de arremessar. É bem capaz dele ficar livre no garrafão e preferir dar um passinho para trás antes da tentativa.
Mas há um jogador na NBA fazendo o caminho contrário. Enquanto a pirralhada arremessa cada vez mais de três pontos, enquanto vários times passam a se focar nesse aspecto do jogo depois que o Orlando Magic provou na temporada passada que era possível chegar longe nos playoffs assim, um jogador está aos poucos abandonando os arremessos de três que sempre lhe foram tão úteis. Trata-se de Kobe Bryant.
Foi assim, sem alarde, sem aviso, tipo a Britney Spears ficando gorda. De uma temporada para a outra, Kobe simplesmente decidiu que seu jogo no perímetro era coisa do passado e que a moda agora era namorar pelado. Nos 19 jogos até agora, contando também os de pré-temporada, Kobe passou quatro partidas sem arremessar uma única bolinha de três. Em outras duas ocasiões, arremessou apenas uma bola.
Pode parecer pouco, foram apenas seis partidas, mas se a gente comparar com o Kobe de antes, vemos o quanto isso é absurdo. Durante toda a temporada passada e mais os playoffs, não houve um único jogo em que Kobe não chutasse de três pontos. Na verdade, durante todas essas partidas ele arremessou apenas uma bolinha de três durante um jogo em 8 partidas apenas, mantendo uma média de mais de 4 arremessos de três pontos na temporada. Esse ano o número caiu pela metade e em algumas ocasiões ele nem se dá ao trabalho de tentar qualquer coisa no perímetro. Gregor Sansa acordou um dia depois de sonhos intranquilos, no livro "Metamorfose", e havia se tornado um enorme inseto. O Kobe Bryant acordou um dia depois de sonhos intranquilos e tinha se tornado o melhor jogador de garrafão do planeta. É como se ele simplesmente tivesse decidido, de uma hora para a outra, que seria um ala de força. O único indicio que tínhamos disso está no vídeo abaixo, em que Kobe treina com Hakeem Olajuwon durante suas férias:
Foram apenas duas horas de treino com um dos melhores pivôs de todos os tempos aprendendo uns macetes, que o próprio Hakeem disse que se encaixariam perfeitamente bem no jogo do armador do Lakers. A gente sabe que o Kobe é um nerd de basquete que estuda o jogo profundamente e que aprende muito rápido os movimentos que ele disseca nos treinos, mas virar um jogador monstruoso de garrafão nessa velocidade é débil mental. O LeBron James pode evoluir mais rápido do que Pokémon, mas ninguém estuda o jogo e evoluiu tecnicamente tão rápido quanto Kobe Bryant. Fico imaginando ele na Matrix dizendo "operador, me carrega um programa de pilotar helicópteros", porque pela velocidade que ele aprende parece que é exatamente assim que funciona.
Cada vez mais dentro do garrafão, jogando de costas para a cesta, Kobe está desfilando um arsenal de giros, ganchos, bandejas fáceis. Está dando dor de cabeça para os marcadores gigantes, cobrando mais lances livres do que nunca, pontuando mais. E o mais importante: se antes ele criava o próprio arremesso, mantendo a bola nas mãos por muito tempo, agora mais da metade de seus pontos saem de assistências dos outros jogadores do Lakers, porque ele está no garrafão pedindo a bola para finalizar. O time está mais envolvido no ataque e assim não percebe a falta de Pau Gasol no garrafão. Aliás, o líder em pontos no garrafão nessa temporada é exatamente Kobe Bryant. O segundo colocado? É Andrew Bynum, que aos pouquinhos está se tornando o melhor pivô do Oeste - se a gente não contar o Kobe, claro. Algumas derrotas aparecem, mas ninguém está percebendo que o Gasol ainda está fora. Ron Artest está jogando mais no perímetro, iniciando as jogadas, mas ele também pode jogar no garrafão se quiser (onde ele até rende melhor) e o Lakers pode virar uma máquina embaixo da cesta.
Muito se fala sobre a evolução do jogo de Michael Jordan, que com o passar dos anos foi marcando cada vez menos pontos no garrafão, cobrando menos lances livres, e arremessando mais de longa distância. Foi uma evolução inteligente que protegeu o corpo de Jordan e que foi tornando-se mais praticável conforme seus arremessos foram ficando mais e mais mortais. Kobe parece estar fazendo o caminho inverso, afastando-se da rota estabelecida pelo seu ídolo. Já faz um tempo que o Kobe está na elite dos arremessadores da NBA, convertendo arremessos de qualquer lugar da quadra. A decisão de se aproximar da cesta parece simplesmente primar pelo aproveitamento, pela vantagem que ele pode tirar de seus defensores maiores e mais lentos. É a conclusão de alguém que estudou, tentou, assistiu, praticou, e parece ter percebido que sua contribuição é maior quando pertinho do aro. A marcação que ele exige abre o perímetro para os companheiros da equipe, ele troca de função no triângulo tático do Lakers garantindo que o esquema não fique batido, não precisa trazer a bola para o ataque e armar as jogadas, e tira proveito de uma técnica primorosa que nenhum outro jogador de garrafão da atualidade parece ter. É como se ele percebesse que todo mundo nesse trabalho fede e que, então, ele pode fazer melhor e ganhar uma vantagem. Em terra de cego, o Kobe tem os dois olhos e pode passar a mão em quem quiser.
Quando Gasol voltar à equipe, talvez Kobe passe a variar mais seu posicionamente em quadra, para não criar uma redundância no triângulo ofensivo. Ainda assim, sua decisão pela eficiência apresentada pelo jogo de garrafão deve perdurar um bocado. Não há sequer sinal de que esteja sendo prejudicial para seu físico, já que tanto do que ele faz é baseado em habilidade, movimentos precisos e inteligência. Quando ele começar a apanhar demais, quando virar um saco de pancadas tipo o Allen Iverson nos tempos de Sixers (vamos esperar para ver se o Iverson ainda vai ser um saco de pancadas em algum outro time, agora que o Grizzlies e ele romperam o contrato), então Kobe poderá voltar ao perímetro como sempre fez.
Esse passo para longe de Michael Jordan, essa decisão oposta ao jogo do maior de todos os tempos, me deixa simplesmente eufórico. Num esporte em que há tanta comparação, em que os caminhos parecem já ditados e os jogadores têm pouco espaço para suas vozes particulares, Kobe encontrou sua própria trilha e está tendo um sucesso absurdo com ela. Ele não é uma cópia, um jogador genérico. Ele é nerd, estudioso, criativo, inovador e corajoso. Seu passo para longe de Michael Jordan, portanto, está fazendo justamente o contrário: trazendo Kobe para perto de Jordan - não no estilo de jogo, mas no palco dos maiores de todos os tempos.
Defenestrado por
Danilo
por volta das
04:01
17
Jogadores frustrados já comentaram
Marcadores: aaron brooks, andrew bynum, anthony parker, ariza, cavs, frye, gallinari, gasol, jordan, kobe, lakers, mo williams, Suns
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Para amar ou odiar Ron Artest
A cena abaixo é do jogo de domingo entre Lakers e Rockets. O Trevor Ariza pode se lembrar desse jogo como o seu primeiro em Los Angeles desde que saiu do Lakers, como o jogo em que recebeu seu anel de campeão, como o jogo em que bateu o atual campeão em seus domínios ou ainda como o jogo em que perdeu seu tênis e o Ron Artest o jogou pra longe só de sacanagem. Pois é, tem o vídeo pra provar.
Isso não é insano? Tem coisa menos fair play que essa? Ao mesmo tempo, teve alguma cena mais engraçada na NBA desde que o próprio Ron Artest fez isso aqui com o Paul Pierce?
Por essas que eu já disse que o Artest não é meu jogador favorito na NBA (prefiro o Ariza a ele, por exemplo), mas é o meu personagem favorito.
Defenestrado por
Denis
por volta das
13:19
7
Jogadores frustrados já comentaram


